Torá em Português

Old Hebrew Prayer Book

Parashat Pinchas

Uma de Cal e outra de Areia

Tradução de español: David Abreu

O calendário hebraico está, atualmente, manchado de preto. Começamos a passar pelas três semanas de aflição que separam os dias 17 de Tamuz e 9 de Av, datas de lembrança da destruição de Jerusalém. São três semanas de destruição física e espiritual nas quais o judeu observador desmaia lembrando as bofetadas do passado e sente as feridas milenares de nosso povo à flor da pele.

E inseridos nesta época dolorosa de aflição, chamada Bein HaMetzarim, abrimos a Torá e vemos uma atmosfera festiva. Apenas duas porções da Torá lembram todos os festivais de Israel: Parashat Emor (no livro de 'Vaikrá') e a Parasha que lemos no decorrer desta semana, Parashat Pinchas.

Todo leitor sensível ficará impressionado com o Texto:

Por que tanta alegria em meio a tamanha tragédia?

Que necessidade temos de nos lembrar das festas de Israel nesta época de angústia e tristeza?

Na verdade, essa aparente discordância acaba sendo uma excelente radiografia de nossas vidas. Nossa vida diária não é tingida de preto ou branco. Existem poucos momentos de felicidade irreprimível ou tristeza insuportável; Em geral, nossas existências são uma sucessão constante de cinzas que alternam tristezas e alegrias. “Uma de cal e outra de areia”, dizem. Por um lado, a dolorosa memória de destruição; de outro, as animadas festividades das celebrações de Israel.

Talvez a Torá queira nos mostrar que mesmo lá, onde prevalecem a dor e a angústia, o sol pode nascer; que mesmo em horas de tragédia possa haver espaço para esperança e para retornar àqueles dias festivos mencionados por nossa Parasha, e que uma vez celebramos em nossa radiante Jerusalém. Como diz o profeta Zecharia (Zacarias): 'Assim diz o D'us dos exércitos: O jejum do quarto mês, o jejum do quinto, o jejum do sétimo e o jejum do décimo, será para a casa de Judá. Alegria e regozijo ' (Zecharia 8, 19)


Que D'us nos ajude a abrir nossos olhos para que possamos encontrar alegria e equilíbrio neste mundo - tantas vezes - cruel e impiedoso e podermos apreciar a beleza e a alegria que muitas vezes nos são ocultadas por nossa visão estreita da realidade.