Torá em Português

Parashát Ki Tetsé

Um Povo de Passagem

Tradução de español: David Abreu

Perto do final da Parashat Ki Tetsé, há a mitzvá de lembrar o que Amaleque fez após nossa partida do Egito.

“Lembre-se do que Amaleque fez com você na saída do Egito. Quem te encontrou no caminho e te matou, todos os fracos que estavam atrás de você, e você estava cansado e fadigado; e ele não temia D'us”, leremos amanhã na Torá (Devarim 25: 17-19).

Todas as nações do mundo já sabiam do poder de D'us e temiam Israel naquela época. Amaleque não.

É por isso que RaSHI compara Amaleque a um homem que se submerge em uma banheira de água fervente. Queima até os cílios, mas a esfria para os outros. Amaleque é quem inaugura a triste sucessão de ataques e traições que o povo judeu viveu ao longo de sua história.

Amaleque não tinha medo de Israel. Ele não acreditava em D'us, nem acreditava na justiça, nem em valores morais, ele não acreditava em nada.

Não é por acaso que na guematria a palavra Amaleque soma 240, bem como a palavra Safek (dúvida).

Mas Amaleque não ataca em lugar nenhum; Amaleque ataca 'na estrada'. E eu quase diria: Amaleque ataca porque não suporta que Israel tenha um caminho.

Israel tinha uma razão para ser, uma razão para lutar, uma razão para acreditar e uma razão para viver. Amaleque não.

Alguns historiadores costumam dizer que o povo judeu é algum tipo de anomalia histórica. Todas as cidades funcionam de maneira bastante semelhante. Eles nascem, se organizam, deixam algum legado para a raça humana e então chega seu declínio.

Em termos cósmicos, poderíamos dizer que duram na história apenas um momento e só podemos conhecê-los por meio de suas ruínas, únicas testemunhas e guardiãs do passado.

No nosso caso é diferente. As testemunhas do nosso passado somos nós mesmos. Fazemos parte desse caminho e dessa missão que foi conferida aos nossos patriarcas. Somos elos e somos de uma corrente. A mensagem de Amaleque é que o caminho não importa. Nem o propósito ou o futuro importa.

A Torá nos fala pouco e nada sobre a vida de Amaleque como um povo.

Não sabemos que contribuição deu para a raça humana ou como eles viveram. Só sabemos como Amaleque não deixou ninguém viver.

Não somos ordenados a lembrar de Amaleque apenas para lembrar sua traição ou a daqueles que seguiram e seguem seus passos (que são muitos).

Somos obrigados a recordar para relembrar sempre aquela estrada em que fomos agredidos, a nunca se desviar dela e continuar a conservar o orgulho de pertencer a um povo com estrada e não simplesmente a um povo de passagem.