Torá em Português

Parashat Miketz

Sonhadores, Intérpretes e Realizadores

Tradução de español: David Abreu

Todas as manhãs, quando colocamos os Tefilin, atendemos três pontos nevrálgicos de nosso corpo humano. Começamos colocando a Tefilla Shel Iad no braço e orientando-o em direção ao coração. Em seguida, colocamos a segunda Tefilla em torno de nossa cabeça e, por último, enrolamos o primeiro em nossa mão.

Quando olhamos para a história de Iosef, vemos como sua vida seguiu esse mesmo caminho. A Parasha passada era a seção do Coração. Iosef, era um sonhador de sonhos de grandeza alojados em um canto de sua alma.

No início dessa Parasha, a Cabeça entra em ação. Iosef para de sonhar e começa a interpretar. É o próprio faraó quem sonha e Iosef analisa seus sonhos e assume a posição de vice-rei do Egito.

Iosef estava 'feito' com isso; mas ele não estava contente. A economia mais importante do mundo estava cambaleando e Iosef propôs e executou um plano de "ajuste" para trazer à tona a situação dramática ... Lá a Mão entrou em cena.

Coração, cabeça e mão. Existem aqueles que se contentam em sonhar. Eles vivem apoiados nesses sonhos e alimentam suas almas com ilusões. Outros gostam de interpretar e aí ficam. Eles amam a dialética, o exercício intelectual e o charlatanismo. Por último, existem os realizadores. Aqueles que conseguem transformar todos esses sonhos e essa dialética em ação.

Por muito tempo, Iosef foi lembrado. A tal ponto foi assim, que a escravidão do Egito começa quando um novo faraó assume Asher Lo Iadá Et Yosef. Um faraó que não se recordava ou não sabia tudo o que Iosef significou para o Egito.

Mas Iosef não foi lembrado pelo que sonhou ... Tampouco foi lembrado pelo que interpretou ... Iosef foi lembrado por ser um realizador.

Algo semelhante aconteceu com a família dos Hasmonaim (Macabeus), de quem nos lembramos nestes dias de Chanucá. Não nos lembramos deles por seus sonhos ou por sua ilusão de restabelecer o Reino de D'us em uma Terra de Israel atormentada pelo paganismo e assimilação. Nós nos lembramos deles por terem pegado "o touro pelos chifres" e transformado o mundo ao seu redor.

Um abismo selvagem separa a palavra da ação. Iosef e a família de Hasmonaim (Macabeus) são aqueles que nos ensinam que o coração (o que é sonhado), a cabeça (o que é pensado) e a mão (o que é feito) devem estar tão próximos em nosso trabalho diário quanto estão em nosso corpo humano.

Todas as manhãs, quando colocamos os Tefilin, nós nos lembramos disso.