Torá em Português

Parashat Devarim

O Choro Mais Longo

Tradução de español: David Abreu

A Parashat Devarim é sempre lida no Shabat anterior a Tisha BeAv, o aniversário –entre outras coisas- da destruição dos dois Templos de Jerusalém.

A Parasha da semana começa falando sobre aqueles doze homens - os meraglim (espias) - que foram para Eretz Israel (Terra de Israel) e que, ao retornar, assustaram o povo com a conquista iminente da Terra prometida, mergulhando Israel em desespero e lágrimas.

Naquela noite, de acordo com o Talmud, era Tisha BeAv. D'us, vendo o povo chorando, condenou os filhos de Israel a vagar por quarenta anos no deserto e repudiou aquela geração, decretando que eles não entrariam na Terra Prometida.

"Hoje eles choram um grito vão", disse D'us. “No futuro, e nesta mesma data, eles chorarão por gerações” (Taanit 29a).

De acordo com a tradição talmúdica, os templos de Jerusalém não foram apenas destruídos pelos invasores, mas as mesmas pessoas com seus comportamentos motivaram a destruição. Jerusalém foi destruída não apenas pela vontade de outros, mas também por seus próprios erros. O paganismo, o derramamento de sangue e as relações incestuosas causaram a destruição do Primeiro Templo, enquanto o segundo foi destruído pelo ódio gratuito e apego excessivo ao dinheiro (Ierushalmi Yomá).

Quatro mil anos depois daquela noite fatídica quando choramos aquele grito vão no retorno dos doze meraglim, aqui estamos nós. Muitas vezes fomos abatidos; muitos de nós nos levantamos novamente.

Talvez nestes dias que correm, em que somos a página da história que será estudada em cem anos, possamos aprender a lição de D'us e de nossa história.

Entenda que a história da destruição de Jerusalém foi desencadeada por um somatório de falhas humanas e que não é impossível que ela se repita. Que ainda existe, ainda hoje, muito ódio gratuito entre irmãos e tantos inimigos fora e dentro do mesmo povo disposto a acender --Jas VeShalom! - a chama de uma nova destruição. Para compreender nestes tempos cruciais que Israel atravessa e que sem dúvida marcará o seu futuro, que não se pode ser indiferente ... que a indiferença é criminosa. É também por isso que Yerushalaim foi demolido.

E acima de tudo, que este novo Tisha BeAv possa terminar de nos convencer de que não há futuro se não exercitarmos Ahavat Israel (o verdadeiro amor de Israel), sempre lembrando que por isso vagamos por dois mil anos até o fim de a Terra.