Torá em Português

Old Hebrew Prayer Book

Parashat Shelach Lechá

O bem mais precioso

Tradução de español: David Abreu

Todos nós conhecemos, mais ou menos, a história dos Meraglim. Doze espiões, um por tribo e todas as personalidades mais ilustres de Israel, são enviados à Terra Prometida para 'fotografar' seu futuro e conhecer essa terra de perto.

O início da Parashat Shelach Lechá que lemos esta semana começa mencionando esses doze escolhidos.

Pela tribo de Reuvén: Shamúa ben Zakur. Pela tribo de Shimon: Shafat ben Chori. Para a tribo de Iehudá: Kaleb ben Iefuné. Para a tribo de Isachar: Igal ben Iosef. Para a tribo de Efraim: Ioshua bin Nun. Etc etc…

De acordo com o RaMbaN, as tribos são nomeadas em ordem de acordo com a grandeza pessoal de cada um dos espias. Ou seja, aquelas tribos cujos espiões tinham maior alcance pessoal - tanto para sabedoria quanto para prestígio - são mencionadas primeiro.

É incrível, mas Shamúa ben Zakur era na época o melhor nome de todos os Meraglim e um dos homens mais respeitados do povo de Israel. Hoje ninguém se lembra disso. Shafat ben Chori, tinha um nome mais conhecido do que o de Ioshua bin Nun e Caleb ben Iefuné. O que aconteceu com ele e seu bom nome? Toda a sua reputação deu em nada depois de quarenta dias quando eles voltaram de Eretz Israel e blasfemaram contra a terra.

Quando uma pessoa adquire um bom nome, ela deve sentir o jugo e se comportar de acordo.

No dia em que aqueles doze representantes foram enviados a Eretz Israel, todas as pessoas sabiam porque foram escolhidas. Mas ao retornar - quarenta dias depois - a verdadeira prova os esperava: provar que haviam sido merecedores dessa honra.

Um bom nome é o bem mais precioso que um ser humano pode possuir. E há uma diferença com o resto dos bens que podemos obter na vida.

Para ter dinheiro na vida, sempre haverá duas maneiras. O único é trabalhar e transpirar. O outro é ser filho de um Rotschild ou de um Rockefeller.

Mas o bom nome, ao contrário, não é herdado. Nesse caso, importa menos quem foi seu pai ou seu avô, pois conquistar uma boa reputação é uma questão pessoal, não é um bem de família. Não há Rotschild ou Rockefeller lá. Só se conta, suas ações e suas omissões, suas palavras e seus silêncios.

Mas acima de tudo, conta a capacidade que temos para preservar e poder sempre manter a coroa do bom nome em nossas cabeças.