Torá em Português

Parashat Ki Tisá

Juntos

Tradução de español: David Abreu

A Parashat Ki Tisá contém entre seus muitos versos a infame história do bezerro de ouro.

Existe alguma lição que podemos tirar da participação dos filhos de Israel neste evento infeliz?

Eu penso que sim. Poderíamos dizer, sem medo de errar, que os judeus, quase TODOS, estavam dispostos a apoiar financeiramente um projeto, por mais desprezível que tenha sido. Foram poucos os que se mantiveram fora do pecado.

Como disse o Rabino Aizel Charif, Rabino de Slonim no século 19, com grande ironia: Nossos ancestrais - mesmo quando pecaram - estavam dispostos a se desfazer de seu ouro e prata para fazerem um deus. Os judeus de nossa geração, por outro lado, se livram de seu D'us para obter ouro e prata ...

No início de nossa Parashá, lemos: 'Isto será dado por todos que passarem pelo censo: meio siclo ... uma oferta será para o Santuário' (Shemot 30, 13).

Esse meio siclo cumpria uma dupla função: por um lado, servia para contar os filhos de Israel. Por outro lado, serviu para construir as bases do Tabernáculo. Em um paradoxo mais do que interessante, poderíamos dizer que na mesma Parashá o povo de Israel sustenta os projetos mais nobres e os mais infames. Mas com um fator comum ... São empreendimentos coletivos; apesar do bezerro ... Para o bem ou para o mal esse povo está unido. Atuam como um bloco.

Enquanto estavam ao pé do Sinai, eles o fizeram juntos. Mas quando se trata de virar as costas para D'us, eles também farão isso juntos. Quando se trata de construir o mishkan, eles fazem isso juntos. Mas quando eles choram desesperadamente com o relato dos espias, eles chorarão juntos.

Foi uma geração que cometeu centenas de erros, mas teve uma virtude que raramente se repetiu na história de nosso povo. Foi um povo unido, que deixou bem claro onde reside a força de um povo. Para o bem ou para o mal. A unidade nacional - mesmo em face de pecados tão grosseiros como o do bezerro - foi a razão de ser de toda aquela geração. Foi ela, a unidade, que deu coesão e força aos escravos que haviam deixado o Egito há alguns meses.

Talvez essa seja a melhor lição que a geração do deserto nos ensinou. Foi uma geração cheia de erros, dúvidas e faltas mas ... Até o bezerro fizeram juntos!