Torá em Português

Parashat Pekudei

Enfim tudo termina

Tradução de español: David Abreu

Ouvi há algum tempo uma anedota encantadora sobre Albert Einstein.

Diz-se que, em certa ocasião, um estudante chamado Frantz perguntou a Einstein se ele poderia resumir sua Teoria da Relatividade em poucas palavras.

Einstein disse: "Diga-me, Frantz ... se você se sentasse em brasas por uma hora ... quanto tempo você acha que ESSA HORA duraria para você?"

Frantz respondeu: "Essa hora duraria para mim uma eternidade."

E o que aconteceria se você passasse uma hora inteira com Frida (a jovem mais bonita da classe)? Quanto tempo duraria ESSA HORA?

"Essa hora duraria para mim UM SEGUNDO."

Ao que Einstein respondeu: "Você resumiu a Teoria da Relatividade em poucas palavras."

...

Todos nós frequentemente temos a sensação de que as coisas boas (paternidade, passeios, férias, etc.) duram pouco tempo, enquanto as experiências difíceis na vida duram para sempre.

No entanto, não somos os primeiros a experimentar esse sentimento. O final da Parashat Pekudei nos fala sobre a jornada dos filhos de Israel pelo deserto. É descrita uma circunstância que bem poderia ser classificada como precedente dos modernos sistemas de navegação. Esqueça o GPS. A Torá nos diz que uma nuvem foi aquela que guiou os filhos de Israel pelo deserto.

"E quando a nuvem subiu de cima do Tabernáculo, os filhos de Israel partiram em todas as suas viagens. Mas se a nuvem não subiu, então eles não se moveram até o dia em que subiu. Pois a nuvem do Eterno permaneceu sobre o Tabernáculo de dia e de noite havia fogo nele, aos olhos de toda a casa de Israel, em todas as suas viagens. " (Shemot 40, 36-38).

Os filhos de Israel não tinham medo de se extraviar, já que o Santo Bendito "em pessoa" ia diante deles.

Mas algo interessante estava acontecendo com aquele sinal. Ninguém - exceto D'us - sabia a localização exata do novo acampamento. Quando a nuvem se dissipou, o povo carregou os feixes e quando ela desceu novamente e pousou no mishkán, Israel rearmaria suas tendas e estabeleceria sua realeza em um novo território deserto.

O RaMbaN (Nachmanides) nos diz, em seu comentário sobre a Torá na Parashat BeHaalotcha (BeMidbar 9, 19), que esses movimentos eram surpreendentes e erráticos e muitas vezes geravam grande impaciência entre as pessoas. Muitas vezes acontecia que a nuvem descia em um lugar horrendo ... As pessoas gostariam de ficar lá por apenas algumas horas, mas a nuvem ficava no lugar por meses e até anos e as pessoas não podiam mover-se ou partir. Mas às vezes, acontecia o contrário. A nuvem descia em um lugar lindo e tranquilo. O povo gostaria de ficar lá por anos, mas na manhã seguinte a nuvem voltaria a subir e o povo era forçado a partir.

O RaMbaN sugere algo semelhante à história de Albert Einstein. Em nossa percepção, as coisas boas duram pouco tempo, enquanto as coisas ruins duram muito.

A questão é por que D'us escolheu um caminho tão difícil e errático para conduzir Seus filhos pelo deserto.

Talvez a mensagem seja que na vida devemos aprender a jogar com nossas cartas da sorte. Pode parecer conformista, mas a ideia de que não somos nós que escolhemos a grande maioria das cartas que estarão nas nossas mãos, ajuda-nos a ver a vida na sua devida proporção.

Deixe-me usar um exemplo muito moderno (embora nos tempos modernos do Playstation, ele pudesse muito bem ser definido como um exemplo pré-histórico). Com certeza você conhecerá o famoso videogame chamado Pac-man. Se você prestou atenção, nesse jogo existem apenas duas situações: perseguidor ou perseguido. Às vezes, somos nós que dominamos o jogo, mas de repente o jogo começa a nos dominar.

Muitas pessoas vivem com a sensação de que a vida é como este jogo. A realidade é "branca" ou "preta". No entanto - disse-me uma vez um colega amigo - a vida não é um Pacman ... É um Tetris!

As peças estão caindo de cima e devemos ter a expertise para dar a cada uma delas o seu devido lugar.

É verdade que muitas vezes temos a sensação de sentar sobre brasas. Os tempos ruins - temos essa percepção - duram para sempre. São os tempos difíceis, de medo e angústia, quando percebemos que as peças estão caindo rápido e não conseguimos controlá-las.

Mas aquela nuvem sempre se elevará acima de nossa cabeça e nos levará - como aconteceu com nossos ancestrais no deserto - a um lugar melhor, onde possamos nos reencontrar com tranquilidade e sossego e encontrar a calma e o repouso para o nosso espírito.