Torá em Português

Parashat Ekev

Em Tenra Idade

Tradução de español: David Abreu

O bairro ultraortodoxo de Mea Shearim é um micro-mundo em que as paredes falam, em que cada anúncio ou cada panfleto reflete a forma de pensar e viver das pessoas que vivem nestas ruas de Jerusalém.

Há alguns anos, caminhando pelo bairro, parei em frente a uma placa que dizia:

"O Conselho Rabínico dos Sábios da Torá adverte que a conexão à internet de todo temente a D'us constitui uma violação flagrante da Lei Judaica."

Surpreso com tal cartaz, rapidamente entendi que, no século XIX, deixar o gueto era ir para a faculdade ou usar roupas modernas. Mas hoje, se um jovem 'temente a D'us' mora em Meá Shearim e está conectado à Internet, ele estará fora do gueto, mesmo que more fisicamente nele.

Hoje o Judaísmo também contém o outro extremo. Um extremo tão perigoso para a saúde do povo de Israel quanto o proclamado neste pôster.

Não são poucos os judeus para os quais seu maior orgulho é justamente viver fora do gueto: eles não mandam seus filhos para estudar judaísmo, não os circuncidam porque consideram a Brit Milá (circuncisão) uma prática primitiva. Existem muitos judeus para os quais a simples menção da palavra TORÁ pode causar uma debandada de dimensões astronômicas.

Parashat Ekev diz:

‘E você vai ensinar essas palavras a seus filhos para falarem sobre elas, quando estiver em casa, quando caminhar na estrada, quando for para a cama e quando se levantar’ (Devarim 11, 19)

E RaSHI nos ensina com referência a este verso: KsheHaTinok Matchil Ledaber, Aviv Mesiach Imo BeLashon HaKodesh Umelamdó Torá, VeIm Lo Asa Chen, Harei Hu Kehilu Kovró.

"A partir do momento em que uma criança começa a falar, seu pai deve começar a falar com ela na língua sagrada e a ensinar-lhe a Torá, e se não o fizer, será considerado como se o tivesse enterrado (em vida ). "

Com essas palavras tão difíceis de digerir, RaSHI nos ensina que a educação judaica deve nascer em casa e na mais tenra idade. Do contrário, a identidade corre sérios riscos de ser enterrada.

Uma anedota conta que um jovem casal foi visitar o famoso Chafetz Chaim em busca de seus sábios conselhos. A mulher estava no oitavo mês de gestação e eles queriam saber como deveriam agir com seu futuro filho para sempre conduzi-lo no caminho da Torá. O Chafetz Chaim olhou para eles e disse: "Espero poder orientar vocês ... mas quero que saibam que estão oito meses atrasados."