Torá em Português

Parashat Pinchas

Direitos Adquiridos

Tradução de español: David Abreu

A Parashat Pinchas nos fala sobre cinco mulheres filhas de um homem da tribo de Efraim chamado Tzlofchad.

Tzlofchad havia morrido e não tendo deixado herdeiros homens, as mulheres se aproximam de Moisés pedindo uma porção da Terra Prometida.

As mulheres sabiam que a herança era apenas para os homens. O que aconteceria com os direitos de seu pai? Ser mulheres as tornava criaturas de segunda categoria?

Moisés não tinha certeza do que responder. Mas depois de consultar a Deus, ele recebeu a resposta: aquelas cinco mulheres iriam herdar de seu pai e ter uma parte na Terra de Israel.

O Midrash faz uma leitura muito interessante desse episódio: “Naquela geração, as mulheres consertavam o que os homens arruinavam”.

Os homens dançaram ao redor do bezerro; as mulheres se afastaram. Os homens caluniaram a Terra junto com os espiões; as mulheres estavam respeitosamente caladas. Os homens queriam escolher um líder para levá-los de volta ao Egito; as mulheres foram a Moisés para implorar-lhe que recebesse uma parte da Terra de Israel.

Muito poucos queriam essa Terra, exceto elas.

A história das filhas de Tzlofchad é uma cópia carbono de nossa história como povo. Por séculos, ninguém quis esta Terra, exceto nós.

Nem mesmo aqueles outros povos que hoje a chamam de "Terra Santa" dedicaram-lhe um poema ou um sonho mínimo.

Como todos olhavam para Israel desolados e viravam seus rostos, sabíamos que estava desolada porque estava esperando por nós.

Enquanto todos, com descuido e inércia, se acostumaram com seus pântanos contaminados com malária ou morreram de tifo, sabíamos que no dia em que conseguíssemos drenar esses pântanos, Israel voltaria a ser a terra do leite e do mel.

Fomos nós que sonhamos com a Terra de Israel quando todos a viam como o quintal do mundo. Não é por causa de sua riqueza que sonhamos com ela durante séculos. Sonhamos com ela, apesar de sua pobreza.

Não é apenas a promessa de Deus que nos dá legitimidade como habitantes desta Terra. Alcançamos a legitimidade máxima e absoluta por tê-la desejado quando todos a desprezavam; tendo chorado por ela quando todos a profanaram.

Assim como as filhas de Tzlofchad.